terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Um caso de sucesso: Jovens abrem empresa inovadora recorrendo ao programa do ILE

Criada em 2004 por Ângela Gago e Dilma Vieira, a Made in Design é a primeira empresa a prestar serviços de outsourcing na área do design em Portugal. É resultado de um processo de três anos a preencher os requisitos da Iniciativa Local de Emprego (ILE) à qual concorreram, promovida pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP).

As jovens licenciadas em Design de Comunicação concretizaram a sua ambição académica de construir uma estrutura própria, através do modelo de financiamento do IEFP, que veio inovar nas áreas de comunicação publicitária e design.

O processo foi longo e muitos foram os problemas aquando da elaboração do projecto. Os maiores entraves prenderam-se com a falta de divulgação do ILE e a falta de apoio da entidade responsável pelo mesmo programa.

Apesar das adversidades, as jovens conseguiram montar a sua empresa e ocupar um lugar de destaque na área em que operam, sendo reconhecida a qualidade dos serviços prestados nas mais diversas agências de publicidade.

Ângela Gago apresenta a Made in Design

Saiba mais sobre Ângela Gago

Saiba mais sobre Dilma Vieira



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Apresentação da Made in Design

Perfil: Ângela Gago

Perfil: Dilma Vieira

Made in Design: veia empresarial começa na juventude



A elevada taxa de desemprego, a dificuldade de entrar no mercado de trabalho e a vontade de trabalhar por conta própria podem propiciar a criação de uma empresa. Dilma Vieira e Ângela Gago, tal como muitos jovens, ambicionaram construir o seu negócio, arriscaram e superaram os entraves financeiros recorrendo à Iniciativa Local de Emprego.

Criar um negócio próprio pode ser uma alternativa viável para o estabelecimento no mercado de trabalho. Contudo, muitas são as exigências burocráticas, mas sobretudo financeiras, que impedem a sua concretização.

Ângela Gago e Dilma Vieira, ambas licenciadas em design de comunicação, já durante os tempos de faculdade falavam na hipótese de abrir uma empresa, influenciadas pelos respectivos pais, todos trabalhadores por conta própria. Já inseridas no mercado de trabalho, exercendo actividades em agências de publicidade ou como freelancer, Dilma e Ângela acharam-se capazes de criar algo próprio, iniciando todo o processo que levou à criação da Made in Design.

Deste modo, as designers investigaram, executaram estudos de mercado na área do design, de forma a que pudessem trazer algo de novo, e procuraram formas de financiamento. Optaram por recorrer à Iniciativa Local de Emprego, promovida pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional e fundaram a sua empresa: a primeira a fazer outsourcing na área do design, em Portugal.





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Iniciativas Locais de Emprego são pouco divulgadas



O programa ILE – Iniciativas Locais de Emprego - foi criado com o objectivo de fomentar a iniciativa privada. Consiste num modelo de financiamento do Instituto de Emprego e Formação Profissional destinado a jovens com idade compreendida entre os 18 e os 35 anos. No entanto, este modelo de financiamento tem sido pouco divulgado.

“Ninguém nos sabia informar de nada, ninguém sabia sequer o que era o ILE”, diz Dilma Vieira, designer de comunicação, reiterando a falta de informação em torno deste modelo de financiamento.

“Se fosse mais divulgado provavelmente haveria mais pessoas a recorrer a esta iniciativa” diz Maria Ramires, uma jovem de 23 anos. Terminou o mestrado em Ecologia e Gestão Ambiental e está à procura emprego, mas encara a abertura de uma empresa própria como uma iniciativa viável.

O ILE é uma iniciativa que visa implementar “projectos que dêem lugar à criação de novas entidades, independentemente da respectiva forma jurídica e que originem a criação líquida de postos de trabalho, contribuindo para a dinamização das economias locais, mediante a realização de investimentos de pequena dimensão”, de acordo com a série I-B do Diário da República de 2001.

Conheça mais programas de apoio a formação de empresas para jovens





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Programas financeiros que apoiam jovens a construir a sua própria empresa

Dilma Vieira e Ângela Gago, as criadoras da empresa Made in Design, recorreram ao ILE – Iniciativas Locais de Emprego, por considerarem que era o tipo de financiamento que melhor se ajustava ao negócio que queriam abrir. Para os jovens que, tal com elas, ambicionem criar o seu próprio negócio, existem muitos modelos de financiamento aos quais podem recorrer, não só de âmbito nacional mas também internacional. Alguns desses modelos de financiamento são indicados especificamente para jovens e, tal como as duas designers, devem optar por aqueles que melhor se ajustam ao tipo de negócio que querem abrir:

Programa FINICIA Jovem
O programa FINANCIA Jovem consiste num programa do IPJ – Instituto Português da Juventude - que visa, como o próprio nome indica, financiar o investimento de micro empresas a jovens com uma idade compreendida entre os 18 e os 35 anos.
Para saber mais sobre as condições deste modelo de financiamento, consultar o site: http://juventude.gov.pt/Portal/Programas/SerEmpreendedor/FINICIA/Financiamento/

ANE – Associação Nacional das Empresárias
O ANE consiste numa estrutura de apoio à criação de novas empresas criadas no âmbito do Instituto de Emprego e Formação Profissional, destinado a pessoas singulares com mais de 18 anos.
Para mais informações consulte o site:
http://www.ane.pt/index.php?gc=20043

IAPMEI – Ministério da Economia e da Inovação
No site do IAPMEI estão disponibilizados programas com várias ideias, projectos e tipos de financiamento, como o Finicia, Empreenda ´09, entre outros.
Para mais informações consulte o site:
http://www.iapmei.pt

Jovens Designers demoram três anos a preencher os impressos do ILE



Dilma Vieira e Ângela Gago, duas jovens designers que recorreram ao ILE (Iniciativas Locais de Emprego) para criar a sua própria empresa, demoraram três anos a preencher o formulário obtido no Instituto de Emprego e Formação Profissional.

“Ninguém nos sabia dar informações nenhumas do que era”, diz Dilma Viera, face às dificuldades de preencher os requisitos dispostos nos impressos. Pelo facto de não saberem preencher os impressos, as jovens designers pediram ajuda a vários amigos contabilistas, economistas e outros, mas ninguém sabia preencher. “Tivemos mesmo todos os motivos para desistir”, diz Dilma Vieira.

Segundo as jovens designers, tratam-se dos impressos mais importantes no processo de construção da empresa, respeitantes a um projecto de viabilidade económica. “Só um gestor especializado de uma empresa é capaz de preencher”, diz Dilma Vieira. O formulário exigia também a apresentação de facturas proforma de todo o equipamento necessário para a Made in Design. Este processo permite saber, exactamente, como foi gasto o dinheiro do ILE.





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Dilma Vieira e Ângela Gago, duas designers que recorreram ao ILE (Iniciativas Locais de Emprego) para fundar o seu próprio negócio, relatam muitas das dificuldades que tiveram de ultrapassar ao longo deste processo. Uma delas esteve relacionada com o tipo de espaço exigido pelo ILE, que não permite que o escritório de uma empresa funcione dentro de uma residência. As jovens designers tomaram conhecimento deste facto no início do processo de fundação da empresa, quando pretendiam criá-la num espaço residencial onde já trabalhavam, cumprindo o disposto na lei.

Para ultrapassar este e outros obstáculos que foram surgindo no processo de criação da empresa, as designers destacam o apoio incondicional dos pais: “demo-nos a este luxo que muitos jovens, infelizmente, não podem dar”, diz Dilma Vieira.

Além deste entrave, as pessoas que decidam concorrer ao ILE, têm obrigatoriamente de apresentar um investimento inicial de 5000 euros e começar a pagar a renda do espaço comercial antes do projecto ser aprovado. Visto que um dos requisitos passa pela exigência de que as pessoas que concorrem a este modelo de financiamento tenham de estar desempregadas, tal constitui mais uma barreira para a criação do próprio negócio.






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A Made in Design, criada em 2004, é a primeira empresa de prestação de serviços de outsourcing em Portugal, nas áreas do design e comunicação publicitária. Dilma Vieira e Ângela Gago, licenciadas em Design de Comunicação, fundaram a sua própria empresa, fruto do desejo de implementar uma estrutura inovadora que viesse organizar o mercado do design.

A estrutura empresarial é composta por três profissionais efectivos e vários colaboradores sem contrato de efectividade, a quem dão formação exigente para que transpareçam os valores da empresa e a sua metodologia de trabalho, representando-a.
Assim, seleccionam os designers mais adequados ao serviço requerido pela empresa de comunicação solicitadora.

Trabalham essencialmente com carácter urgente, quando os profissionais efectivos nas agências de publicidade faltam, ou quando há excesso de trabalho, fazendo face à constante necessidade de lançamento de campanhas de última hora. Destacam-se ainda por terem estipulado uma tabela fixa de preços por hora de trabalho, primando pela rapidez, responsabilidade e perfeccionismo.

Deste modo, propõem-se a garantir exigências que um freelancer não pode assegurar e trabalham em regime de confidencialidade, zelando pela confiança entre a Made in Design e as empresas com as quais colaboram. Concretamente, trabalham com a imagem de campanhas impressas, disponibilizando serviços de branding, design editorial, packaging, advertising, entre outros.

Conheça o "antes" e o "depois" do espaço da Made in Design





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Esforço recompensado

Fotos do antes e depois da Made in Design

Crise académica retoma guerra das propinas

Ao mesmo tempo que as universidades revelam dificuldades em suprir os seus custos fixos e, consequentemente, acumulam dívidas, agudizam-se as manifestações contra o valor das propinas. “A minha universidade está a passar por sérios problemas financeiros, por isso é que as propinas aumentam a cada ano”, afirma Rita Oliveira, estudante de Turismo na Universidade de Évora.

O valor das propinas tem aumentado anualmente e, com excepção do Algarve e Açores, todas as universidades estão neste momento a cobrar a propina máxima (972 euros com actualização anual com base na inflação). Ana Miguez, estudante de Sociologia no Instituto de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), considera este valor exorbitante.
Rita Oliveira concorda, afirmando que "as propinas são altíssimas e pelo menos na minha universidade as condições de trabalho não reflectem o valor elevadíssimo das propinas”.

O aumento do número de alunos a frequentar o Ensino Superior poderá potenciar um aumento de receitas porém, determinadas faculdades, como a Faculdade de Letras de Lisboa, apresenta um número de alunos muito inferior a décadas precedentes.

Os desinvestimentos na universidade que a crise acarreta, levou estudantes da Universidade de Évora a manisfestarem-se no dia 12 de Novembro. Entre outras consequências da crise, alguns estudantes viram as suas bolsas reduzidas e outros ficaram mesmo sem bolsa. Os estudantes queixam-se ainda da cobrança de propinas ilegais, uma vez que alguns alunos de tempo parcial estão a pagar o mesmo montante que os alunos que frequentam o regime geral.

Mariano Gago, ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, nega a situação de «ruptura financeira» das universidades, mas atribui as dificuldades económicas à má gestão das universidades. Rita Oliveira, quando questionada sobre a causa da crise, corrobora o problema supracitado, referindo: “penso que se deve à má gestão do dinheiro que as universidades recebem tanto dos alunos como do Estado”. Mariana Pereira, estudante de Sociologia no ISCTE, também aponta o dedo “à maneira como se tem organizado o orçamento de Estado e ao mau planeamento das próprias universidades que têm contratado demasiadas pessoas para a mesma função, entre outras coisas”.

António Nóvoa, reitor da universidade de Lisboa, coloca o problema nas opções políticas que são feitas para o financiamento do Ensino Superior. Em declarações à revista Visão de 2 de Outobro, o mesmo afirma que “a universidade está descapitalizada e sem capacidades nem recursos para promover o plano estratégico definido”.

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- Demissão dos reitores António Nóvoa e António Rendas

Com o novo regime jurídico para o Ensino Superior, há um anúncio público da abertura das candidaturas, apresentação das mesmas, audição pública dos candidatos e, finalmente a votação efectuada por um Conselho Geral.

Assim, a demissão de António Nóvoa no dia 12 de Novembro, prendeu-se não só com a contestação ao financiamento das universidades e a perda de autonomia das mesmas, mas também deveu-se a uma tentativa de reforço da sua legitimidade por parte do Conselho Geral, tendo confirmado o seu intento de recandidatar-se ao cargo. Quem também já tinha manifestado esta intenção, acerca de ano e meio, é António Rendas, reitor da Universidade Nova.

De realçar que o novo regime jurídico para o Ensino Superior, que entrou em vigor no dia 10 de Outubro de 2007, previa a possibilidade dos reitores terminarem o seu mandato, pelo que António Nóvoa e António Rendas quiseram tão só reforçar a sua legitimidade para ocupar o cargo.

- Para saber mais sobre a crise financeira nas universidades consultar:

- Posição do presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP)- Seabra Santos - face à crise académica.

- Ex-reitores solicitam intervenção de Cavaco Silva e José Sócrates para fazer face a crise.

- PCP considera que as universidades não devem cobrar propinas.

Marline Pereira

Lojas de tatuagens transcendem portas das grandes cidades


Negócio rentável, de inicial localização nas grandes cidades, as lojas de tatuagens expandem-se para locais mais periféricos, facto que não parece afectar a sua procura.

Com o aumento do número de pessoas a querer perpetuar uma marca no seu corpo, cresce o número de lojas destinadas ao efeito. Zé Algarvio, da loja Tribal Tatto localizada na Póvoa de Santa Iria, quando questionado se tinha a percepção de ter crescido o número de lojas de tatuagens afirma: “sem dúvida! Tudo o que se torna num negócio rentável começa a crescer”. A localização numa grande urbe não pesou na escolha da localização da sua loja, salientando que tal não afecta a sua procura.

Apesar do crescimento do número de lojas de tatuagens para lá das grandes cidades, as lojas mais procuradas do Bairro Alto não parecem sentir-se ameaçadas pela concorrência. “A qualidade tem preço!” refere um responsável pela loja Bad Bones no Bairro Alto, acrescentando que “quem conhece a Bad Bones sabe a qualidade que tem e a higiene”. Quando questionado em relação ao critério de localização da loja afirma que “é central, é uma zona jovem muito movimentada e tem carisma”. Refere ainda que têm muita procura mas “como tudo na vida, em momentos de crise, há menos procura e de facto menos trabalho”.

Para quem decide fazer uma tatuagem, o preço pode ser secundário quando aquilo que mais parece importar é qualidade de uma marca inscrita no corpo para o resto da vida. Mariana Neves preferiu realizar uma tatuagem no El Diablo, outra das lojas mais procuradas no Bairro Alto, em relação à loja mais próxima do seu local de residência, referindo que “a qualidade das tatuagens no El Diablo é melhor... são mais caras mas vale a pena!”. Para o carácter fidedigno da loja também é relevante a segurança prévia associada à tatoo uma vez que “a lista de condições é cada vez mais extensa, como não consumir bebidas alcoólicas, etc.” como explica Mariana Neves. Acrescenta ainda que um inconveniente destas lojas mais centrais é que “a lista de espera pode ir até dois meses!”.

As lojas localizadas fora das grandes cidades não se queixam da procura, mas não parecem gozar de tanto prestígio. O facto de alguns tatuadores de lojas do Bairro Alto já terem ganho prémios internacionais, e de serem procurados por personalidades do panorama artístico português, pesou na escolha de Mariana por fazer a tatuagem neste local. A avaliar pelas listas de espera, não causa espanto que lojas como o El Diablo e a Bad Bones não se sintam ameaçadas.

Marline Pereira

domingo, 1 de fevereiro de 2009

CALÇADA DA GLÓRIA RECEBE GALERIA DE ARTE URBANA

A Câmara de Lisboa criou, no passado dia 17 deste mês, uma galeria de arte urbana na Calçada da Glória, que consiste na instalação de painéis destinados à elaboração de graffiti. Esta iniciativa surge no âmbito do Plano Integrado de Intervenção no Bairro Alto que visa o combate ao graffitismo ilegal.

Os painéis colocados na Calçada da Glória pretendem constituir um espaço legal para os graffiters se expressarem de modo a evitar e combater o graffiti ilegal. Estão dispostos pelo muro que suporta o Jardim de S. Pedro de Alcântara, mas prevê-se o alargamento do espaço até ao Largo da Oliveira e, ainda, estender o projecto a outras áreas de Lisboa.

O Plano Integrado de Intervenção no Bairro Alto, no qual se insere esta iniciativa, estabelece punições para praticantes de graffiti em flagrante delito e a limpeza dos edifícios, bem como mais segurança através de sistemas de videovigilância, reforço do policiamento, melhor iluminação e alteração do horário dos estabelecimentos comerciais.

A temática do graffiti sempre suscitou discussão, debatendo-se se é arte ou vandalismo. Também relativamente às iniciativas referidas, as opiniões divergem.

Joaquim Vieira, morador no centro de Lisboa, considera que a instalação dos painéis foi benéfica para a cidade, uma vez que “o Bairro Alto está muito sujo e, assim, em vez de se pintar nas paredes, criam-se locais próprios para o fazer”. Já para Pedro Marques, um jovem frequentador do bairro em questão, se por um lado são do seu agrado as telas colocadas, por outro, admite que “a remoção dos graffiti do Bairro Alto vai retirar muito do que o caracteriza”.


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Caixa de texto:
Graffiti como valorização do espaço urbano degradado

Foi instalada, no dia 13 de Setembro, na rua de São Bento, uma “Galeria Viva de Arte Urbana” que pretendia, através do graffiti, valorizar o património degradado.
O espaço Yron convidou os artistas urbanos participantes na sua exposição Wild Painting Party Lx (entre outros) para pintarem fachadas de edifícios degradados ou desocupados, na rua de São Bento. A iniciativa inseriu-se no evento das Noites de São Bento, organizado pela Associação dos Comerciantes da mesma rua, da qual a galeria Yron faz parte.

A intervenção pretendia que os artistas, através do graffiti, descrevessem o percurso urbano entre o passado e o presente que caracteriza a Rua de São Bento.

Sílvia Escórcio, da Yron, disse à Fora de Linha que « “Rua de São Bento – Galeria viva de arte urbana” é um projecto em desenvolvimento, as Noites de São Bento marcaram o arranque do mesmo, mas o objectivo é manter a dinâmica de intervenção nos espaços desocupados ou degradados da rua, daí ser uma “galeria viva”.

Mariana Alves Garcia

Galeria de fotos por Mariana Alves Garcia:

http://www.hi5.com/friend/photos/displayUserAlbums.do?ownerId=363547138

PRESIDENTE DA DIRECÇÃO DO SINDICATO NACIONAL DO ENSINO SUPERIOR DEFENDE NOVO MODELO FINANCEIRO PARA AS UNIVERSIDADES





A crise está instalada no ensino superior público português. Reitores, docentes e discentes convergem numa ideia que parece ser tão evidente quanto preocupante: o actual modelo de financiamento das instituições de ensino superior não serve os seus interesses e necessidades e os novos encargos atribuídos aos estabelecimentos de ensino só vieram asfixiar ainda mais os seus já frágeis orçamentos.

O I-NOVA foi falar com Gonçalo Xufre, presidente da direcção do Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNESUP) e perceber qual a dimensão da grave crise financeira que assola o Ensino Superior Público Português

Há cerca de quatro, cinco meses, por volta de Junho de 2008, o presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) anunciava um cenário de crise profunda nas instituições de ensino superior, que agora se parece confirmar. Quais os contornos reais desta crise?

Em termos da parte financeira, é uma crise que se vem a notar desde 2005. Isto porque a partir dessa altura há um conjunto de medidas legislativas que essencialmente passaram para as instituições um conjunto de responsabilidades, em termos financeiros, que não tinham até aí, nomeadamente a comparticipação de parte das obrigações dos seus funcionários para a caixa geral de aposentações (CGA). A isso aliou-se um decréscimo em termos das verbas disponíveis para as instituições de ensino superior. Essa situação, que se veio a acentuar porque a tal comparticipação para a CGA veio num crescendo, culminou este ano com um conjunto de instituições a não terem, a meio do ano, certeza de que iam pagar os vencimentos até final do ano. Em termos dos vencimentos, nós estamos convencidos de que nunca se vai chegar àquilo que nós chamaríamos “vias de facto”, ou seja, estamos convencidos que o governo nunca deixaria que não se pagasse ordenados, porque isso teria um custo político muito grande. Agora, não temos dúvidas de que eles deixam esta pressão ir ao limite, no sentido de que sejam as próprias instituições a se reorganizar, e se tiverem que fazer alguma reestruturação no seu corpo docente ou outro, que o façam. Portanto, há aqui do meu ponto de vista uma pressão muito grande para que sejam as instituições a terem que tomar medidas drásticas, medidas que politicamente teriam um grande custo para o governo.

Quais as consequências e custos desta reestruturação e destas novas responsabilidades financeiras atribuídas às Instituições de ensino superior (IES), nomeadamente o pagamento de contribuições à CGA, para os seus orçamentos?

Se nós nos lembrarmos que temos instituições onde noventa por cento do orçamento que recebem é para pagar vencimentos, ao verem incluídas na sua despesa cinco, dez e depois onze por cento de um custo que não tinham, rapidamente se vê que o orçamento que tinham não chega para pagar a nova despesa, porque estamos a falar de um aumento de uma despesa que já era a quase totalidade dos gastos que as instituições tinham. Não estamos a aumentar cinco por cento ou dez por cento numa fatia que era residual nos custos. É nas remunerações que as instituições pagavam.

Trata-se de um peso salarial demasiado alto para as IES, o pagamento das remunerações dos seus quadros e as contribuições para a CGA?

Sim, demasiado alto para o investimento que é feito e para as possibilidades das instituições. Essa era uma obrigação cujas verbas vinham do Estado, e que continuam a vir, mas que não estavam contempladas na gestão de autonomia das instituições, não faziam parte das verbas que as instituições recebiam. Ao diminuir o bolo orçamental disponibilizado às instituições, o Estado foi diminuindo as receitas que transfere, e aumentou-lhes as obrigações.

Poderá também o processo de Bolonha ter contribuído para esta situação de crise?

Sim, é um dos grandes motivos. E depois se nós repararmos na ironia da situação, a exigência de uma progressão no ensino numa conjuntura de enorme fragilidade financeira, verificamos como esta exigência passa a ser totalmente infundada. E digo ironia porque todo o discurso político, durante um conjunto de anos, passou muito pelo processo Bolonha, que tinha duas vertentes, a de reestruturação orgânica de funcionamento dos cursos de ensino superior, que na prática não passou de uma mera cosmética de adaptação do horizonte temporal em que os cursos são feitos; e também a alteração na forma de se ministrar o ensino superior. E durante os últimos anos nós observámos estas últimas contradições: por um lado via-se que queríamos apostar na qualidade do ensino superior, e por outro faz-se uma pressão enorme nas instituições onde a única preocupação, quer dos seus dirigentes, quer dos próprios docentes, é saber se no final do mês têm ou não têm dinheiro para pagar e receber ordenados.

Relativamente ao desinvestimento de que já falou anteriomente, como vê o facto de o aumento do investimento no Orçamento de Estado para 2009 no Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) ser o maior no conjunto dos ministérios? Reconhece a existência de um esforço por parte do governo? E este reforço é suficiente para fazer face aos compromissos das IES?

Reconheço, mas não tenho dúvidas de que a visibilidade que a situação actual trouxe às IES e a dificuldade que elas estavam a passar fez com que neste OE o governo não quisesse arriscar e em 2009 ter reitores e presidentes de institutos politécnicos nos jornais a dizer que não tinham dinheiro para pagar ordenados. É um ano que do ponto de vista político, temos de compreender, tem que ser bem gerido, e como tal, houve essa preocupação. Essa preocupação passa por pôr o orçamento ao nível de 2005, ou seja, quando se diz que se reforça o orçamento, a verdade é que se coloca ao nível daquele que estava em 2005, portanto não há ao longo da legislatura um investimento no ensino superior, houve um desinvestimento e agora colocou-se ao nível da orçamentação, daquilo que vão ser as verbas transferidas. No entanto, não nos podemos esquecer que continua a estar lá aquela fatia grande para a CGA que não estava em 2005, o que quer dizer que se compararmos 2009 com 2005 a disponibilidade orçamental é muito menor. Eu julgo que vai ser suficiente para que não haja muitas instituições a gritar por socorro. Agora, não vai ser suficiente para haver investimentos. Neste momento, o dinheiro que é transferido corresponde quase inteiramente para o pagamento de ordenados.

O modelo de financiamento das IES é cada vez mais contestado pelos mais diversos representantes do Ensino Superior. Em que medida é que o actual modelo é responsável pelo atraso do ensino superior em Portugal?

Neste próximo orçamento, estamos a falar de um reforço de investimento que acaba por não o ser. Até porque os critérios que foram atribuídos a esse acréscimo devem ser analisados. Estamos a falar de acção social, estamos a falar de uma fatia importante desse acréscimo que vai para financiar de forma competitiva as instituições sem se perceber muito bem que regras é que vão ser essas. Eu também estou de acordo que o financiamento não deve ser igual para todos, deve ser baseado em resultados e objectivos, mas com regras claras. Houve um acréscimo, mas as suas regras já não batem certo com as iniciais. Essa é uma das críticas que têm sido feitas, por exemplo, pelos reitores, com a qual o sindicato nacional do ensino superior está de acordo, a de que não há regras claras de financiamento, e as instituições nunca percebem muito bem com o que é que vão contar e como é que podem investir para melhorar o seu desempenho. Estamos numa de sobrevivência e não de investimento.

Mas se por um lado as universidades criticam o actual modelo de financiamento e criticam a falta de investimento do governo, por outro lado o governo acusa as universidades de serem mal geridas…

De facto o princípio é verdadeiro, há eventualmente instituições que são mal geridas, não podemos ser hipócritas, mas a verdade é que, como já referi, o sistema não incentiva a que haja bons gestores. É difícil, neste momento, quantificar maus gestores porque não se lhes deu os meios para eles demonstrarem que eram bons ou maus gestores. O problema é que não há regras claras para apontar essas instituições, responsabilizar os gestores dessas instituições e, se elas existissem, seria o próprio sistema, seriam as próprias instituições a garantir que à frente delas estariam os melhores gestores. Neste momento, todos os gestores de IES são bons gestores porque estão a gerir em situações extremamente adversas.

Como é que avalia a actuação do ministro José Mariano Gago na mediação do diálogo entre o governo e as IES ao longo destes quatro anos?

O professor Mariano Gago para nós, sindicato, tem primado por uma ausência. É uma pessoa extremamente competente na sua área e por isso muitas das medidas deste ministério foram no incentivo do reforço científico e tecnológico do país. Para o ensino superior não houve uma linha estratégica, nunca houve uma política de investimento, vimos só contenção, contenção e contenção. Passaram-se quatro anos deste governo e não houve uma visão para o ensino superior que não fez parte das prioridades em termos governativos nesta legislatura. Se eu fizesse uma avaliação diria por isso que teremos talvez um bom ministro da Ciência e da Tecnologia, mas não temos um ministro do ensino superior, ainda que esta avaliação seja naturalmente subjectiva.

O que pensam os alunos…
As universidades alegam investimentos insuficientes por parte do governo, este, por sua vez, defende que muitos problemas advêm da má gestão das universidades. Qual a tua opinião? Achas que a gestão da tua Universidade/ Faculdade poderia ser optimizada?

António Dias, estudante de Ciência Política e Relações Internacionais da UNL- FCSH:
"Acho que ambos têm um pouco de razão: o governo não está a dar meios suficientes às universidades portuguesas, não aposta na investigação. O orçamento que vai para as universidades, em termos de docentes investigadores, é pobre, mas também acho que as universidades não têm feito uma boa gestão. No caso concreto da minha faculdade, embora neste ano tenha havido uma remodelação, por exemplo, na sala de informática, ainda há salas onde chove lá dentro, ou que não têm ar condicionado, ou que ficam numa cave. São tudo situações que demonstram que o dinheiro não está a ser aplicado onde devia.
Há universidades que se têm saído muito bem. Caso da Universidade de Aveiro e a Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade Nova, que têm recebido vários prémios internacionais e são reconhecidas a nível europeu como grandes centros de inovação. Várias empresas de tecnologias foram criadas, ou instalaram-se perto das universidades e não me parece ver uma aposta do governo clara em ajudar mais estas universidades. Penso também que estas universidades obtiveram esse mérito devido à sua autonomia e não é cortando, precisamente, nessa autonomia que o governo vai conseguir chegar a algum lado."

José Diogo Marques, estudante da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa:
"Na Faculdade de Direito de Lisboa passa-se o seguinte: As receitas que estão pensadas entre o Orçamento de Estado e as propinas são de 103 milhões de euros. Acontece que as despesas obrigatórias, que são as que têm de ser mesmo feitas, são de 109 milhões. Ou seja, há aqui um buraco entre as despesas obrigatórias e as receitas que já estão em caixa, que são obrigatórias também. Só que há um buraco de 6 milhões: Onde é que se vão arranjar estes 6 milhões? Ninguém sabe. E depois, as despesas que não são obrigatórias? Onde se vai arranjar dinheiro para elas? É o que se passa na minha faculdade..."

Rita de Sousa, estudante da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa:
"No que respeita à gestão da minha Faculdade, posso adiantar que, havendo ou não investimentos nas Universidades por parte do Estado, pago 900 euros de propinas anualmente, dinheiro que não vejo ser aplicado. Começando no mau estado das infra-estruturas e culminando nos pagamentos em atraso aos docentes, conseguimos concluir que algo não está a funcionar da melhor maneira. Não sei quem responsabilizar, parece-me que as Universidades públicas foram passando para segundo plano nas preocupações de quem governa, sem lucro à vista, nem licenciados aptos para iniciar a sua carreira no mercado de trabalho. Só se exigia, no mínimo, algumas possibilidades de investigação, melhoria dos espaços de aula, e mais acesso a material informático. Será isto algum investimento de luxo? Não me parece! Acho que o que falta mesmo é boa vontade...infelizmente."


Fotos:

António Dias, Rita de Sousa, José Marques (em cima esq para drt); Gonçalo Xufre (em baixo)

André Cunha Oliveira
Mariana Alves Garcia